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2009-12-16

Natal amargurado: Aqui ao lado

A Agualva, vive um pesadelo após a enxurrada da madrugada de 15 de Dezembro que provocou estragos em várias freguesias do Concelho da Praia da Vitória.
Tratou-se de um evento de precipitação extrema que fez transbordar ribeiras e transformar estradas, noutras ribeiras.
Perderam-se bens, felizmente escaparam as vidas.
É um pesadelo, um Natal amargurado, mesmo aqui ao lado, para nos fazer pensar que hoje foram eles, amanhã, outros serão. É a nossa pequenez face a uma natureza que não se adapta aquilo que gostaríamos que ela fosse.
A Agualva é uma freguesia a precisar de conforto: Físico e psicológico.

Imagem do Diário Insular.

2009-12-12

Presépio

O meu presépio de Natal,
Construído de mansinho,
Restaura o mundo real,
Em ponto pequenininho.

É uma aldeia sagrada,
Cheia de erva-patinha,
Junto à lareira plantada
Porque a quero quentinha.

Tem anjos, pastores, amigos,
Musgos, reis, divindade,
Modernices e sonhos antigos
Ancorados na vontade
De nunca os ver perdidos.

Os anjos cantam em coro,
Glória a Deus e Paz na Terra.
Nessa aldeia não há guerra,
Nem quero que haja choro,
Estão lá os meus amigos,
Os recentes e os antigos,
É nesse lugar que moro.

Porque o mundo não é assim,
Preciso em cada Natal,
De deformar o real,
Torná-lo simples, arrebatador,
Mágico, acolhedor,
Ausente de pranto e dor,
Para quando o acabar,
Com sublimidades como estas,
Possa a todos desejar:
Bom Natal ou Boas Festas.

Félix Rodrigues

2009-12-11

Ano Internacional da Astronomia - Dia 346 "Calendário Perpétuo de D. Pedro I"

Calendário Perpétuo Alegórico, dedicado a Sua Majestade Senhor Dom Pedro Primeiro, Imperador Constitucional & defensor perpétuo do Brasil (1826)

Félix Rodrigues

Um calendário perpétuo pretende ser uma tabela que permite determinar, para qualquer ano, o dia da semana que lhe corresponde ou vice-versa. Para isso é necessário definirem-se as regras de consulta dessas tabelas, já que uma nos reenvia para outra, até chegarmos ao dia do mês e ano que pretendemos. Na prática, os calendários designados de perpétuos falham na previsão dos dias da semana a partir de determinada altura. Os árabes tinham incorporado nos astrolábios um calendário perpétuo que previa correctamente os dias da semana (no calendário islâmico) por cerca de 60 anos.
O calendário perpétuo alegórico, uma litografia anónima, dedicado a Dom Pedro primeiro do Brasil, que a seguir se apresenta, é de acordo com o investigador brasileiro Stanislaw Herstal, de 1826, dado os nomes das personagens que aí são enumerados.


Esse calendário, prevê com exactidão o dia da semana de qualquer dia dos anos situados entre 1822 e 1961, ou seja durante 139 anos.
Dom Pedro, herdeiro de D. João VI, era regente do Brasil, quando recebeu uma comunicação da corte portuguesa, informando-o que deixaria de ocupar essa posição e passaria a ser apenas delegado das cortes de Lisboa no Brasil. Gozando de muita popularidade nesse país, o que quer dizer que percebia que seria devidamente apoiado pela população, declarou a independência do Império do Brasil a 7 de Setembro de 1822, rompendo assim o último vínculo entre o Brasil e Portugal.
Foi proclamado, sagrado e coroado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil no Rio de Janeiro em 1822. Criou o Conselho de Estado que elaborou a primeira constituição brasileira em 1824 e instalou a Câmara e o Senado vitalício em 1826. Com a morte de D. João VI, decidiu contrariar as restrições da constituição brasileira, que ele próprio aprovara, e assumir, como herdeiro do trono português, o poder em Lisboa como Pedro IV, 27º rei de Portugal.
1826 é um ano conturbado do estado brasileiro, data essa onde surge este calendário perpétuo que pretende enaltecer esta personalidade histórica, como querendo prolongar, pela eternidade, os seus grandes feitos.
O calendário perpétuo que aqui se refere, tal como todos os outros do mesmo género, possui uma explicação sobre o seu funcionamento. De seguida transcreve-se a ideia contida nessa explicação e acrescentam-se algumas clarificações.
Para determinar o dia da semana nesse calendário, de um dado dia de um determinado ano, procura-se-o junto a uma das coroas de louros que circundam a figura de Dom Pedro, por exemplo, o ano de 1960, está junto à coroa com o nome de Trigozo. Associada a cada coroa de louros existe também uma ou duas letras maiúsculas, chamadas de letras dominicais. Uma vez identificada a letra, deve-se procurar na coluna da esquerda, com título de “primeiros dias de cada mês” (aquela coluna que contêm um globo com a palavra Portugal), o mês do ano que pretendemos, ou seja, se pretendermos saber que dia da semana foi 18 de Janeiro de 1927, esse ano está ao lado da coroa de louros com o nome de “Marquez de Palmella” identificada com a letra A, que nos remete para o quadro da letra A da coluna da esquerda. Aí, verificamos que o primeiro dia do mês de Janeiro foi um Domingo. Uma vez conhecido o primeiro dia do mês na coluna da esquerda, o leitor deverá procurar na coluna da direita, encimada por um globo com a palavra Brasil inscrita, baptizada com “Aquantos do Mez”, a tabela referente ao Domingo. De seguida deverá procurar o dia 18, e ver-se-á que corresponde a uma quarta-feira, podendo afirmar-se assim, que 18 de Janeiro de 1927, foi um quarta-feira.
É advertido nessa explicação, que os anos bissextos, nos quais o mês de Fevereiro tem 29 dias, as coroas em vez de estarem associadas a uma única letra dominical, passam a estar associadas a duas letras dominicais. A primeira letra desses anos só deverá ser utilizada se os meses do ano que queremos saber os dias da semana forem Janeiro e Fevereiro, enquanto que a segunda letra deverá ser usada para os restantes meses do ano em questão.
É curioso que sendo este calendário elaborado em 1826, tenha um domínio de aplicação que vai de 1822 a 1961, crê-se que tal domínio resulte da necessidade que o seu autor sentiu, de incorporar a data da independência do Brasil, no ano de 1822, de modo a que fosse possível identificar qualquer dia da semana referente à história brasileira. A lógica desse calendário poderia ser continuada até 1988, todavia, requeria que se inscrevesse cada ano, depois de 1961, debaixo da letra respectiva, o que tornaria o calendário muito denso e difícil de consultar, pois acrescentar-lhe-ia, um terceiro nível de anos e uma terceira letra. Se repararmos no calendário perpétuo alegórico aqui apresentado, ao lado de cada coroa existem apenas dois níveis de anos. A opção de terminar o calendário em 1961, parece ser estética, ou de outro modo, geométrica. Por outro lado, a inscrição de nomes da história do Brasil, no interior das coroas de louros num calendário deste género parece ser uma preocupação pedagógica do seu autor de modo a garantir que as gerações futuras conheceriam a principais personagens desse novel país.
Na actualidade, continuam a existir calendários perpétuos, como o que se apresenta na figura seguinte, com lógicas muito variadas, mas são poucos os que se centram em acontecimentos essencialmente históricos como é o caso do calendário perpétuo aqui apresentado, que parece ter como grande objectivo, identificar os dias da semana de todos os eventos da história de um país e de um povo, desde o seu nascimento até à eternidade.


Enquanto que a construção do calendário gregoriano (o que actualmente utilizamos) se baseia em factos astronómicos, os calendários perpétuos são algoritmos que pretendem encontrar possíveis propriedades algébricas do calendário anteriormente referido.
A lógica dos calendários perpétuos não é exactamente igual à do Calendário Perpétuo Eclesiástico, assim designado por ser usado no missal da Igreja Católica e para prever em cada ano as Festas Sagradas. Este último calendário já se baseia num facto astronómico que é a conjunção da Lua e Sol, a que se associa um algoritmo apropriado. Os calendários perpétuos falham a partir de determinada altura, porque qualquer que seja a previsão do número de dias que decorreu a partir de determinada data, é sempre uma aproximação. Veja-se por exemplo o cálculo de dias que decorre desde o dia zero (dia do nascimento de Cristo) até um determinado ano N.
Um ano tem 365 dias. Até ao ano 2 depois de Cristo terão decorridos 365 dias; até o ano 3 terão decorridos 365 dias x 2, e assim sucessivamente. Então para saber quantos dias (D) existem até um dado ano (A) bastaria calcular:
D = (A-1) x 365
Mas, porque de cada 4 em 4 anos existe um ano bissexto, há que somar um ano por cada quatro anos à expressão anterior. Para se efectuar essa correcção divide-se (A-1) por 4, interessando apenas a parte inteira (INT) desse quociente, a que se soma à expressão anterior. Assim a expressão mais correcta, para construir um calendário mais longo seria:
D = (A-1) x 365 + INT (A-1)/4
Como nem todos os anos divisíveis de 4 são bissextos, com por exemplo múltiplos de 100, um século depois estaríamos a adicionar dias a mais ao calendário. Assim, há que corrigir a expressão anterior para que possa ser aplicada para vários séculos. A expressão anterior passa a ser então:
D = (A-1) x 365 + INT (A-1)/4 - INT (A-1)/100
Todavia, os anos que são divisíveis por 100 e 400 em simultâneo, são bissextos. Assim sendo, há que lhe acrescentar esses dias à expressão anterior, obtendo-se a nova expressão:
D = (A-1) x 365 + INT (A-1)/4 - INT (A-1)/100 + INT (A-1)/400
Por sua vez, a cada 3600 anos, ocorre um ano bissexto. Como esse número é divisível por 100 e 400 e já está contabilizado indevidamente na expressão anterior, há que retirá-lo, para acertar o número de dias que decorreram desde o nascimento de Cristo, passando a expressão a ser escrita do seguinte modo:
D= (A-1) x 365 + INT(A-1)/4 - INT(A-1)/100 + INT(A-1)/400 - INT(A-1)/3600
É fácil perceber que os calendários perpétuos se baseiam em propriedades algébricas semelhantes às traduzidas por essas expressões e que em qualquer situação são sempre aproximações, o que quer dizer que, nalguma altura, passam a estar incorrectos. É excatamente recorrendo a esta expressão que se prevê que o Calendário Perpétuo Alegórico, dedicado a Sua Majestade Senhor Dom Pedro Primeiro, Imperador Constitucional & defensor perpétuo do Brasil, falhe a partir do ano 1988, não sendo efectivamente perpétuo na verdadeira acepção da palavra.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 345 "Brasão de Porto Moniz"

Isabel Neves e Félix Rodrigues

O concelho do Porto Moniz, localizado na zona norte da ilha da Madeira, tem uma superfície de 8040 hectares e uma população de cerca de 2927 (censos de 2001) habitantes. É constituído por quatro freguesias, a saber: Porto Moniz, Achadas da Cruz, Ribeira da Janela e Seixal.
O Porto Moniz é uma das freguesias mais antigas do norte da ilha, constituindo a carta régia de 12 de Março de 1574, um dos mais arcaicos diplomas em que a mesma é citada. Tal como as restantes freguesias do norte da ilha, o Porto Moniz fez inicialmente parte do município de Machico. Mais tarde, com a elevação da freguesia de S. Vicente a concelho, ocorrida por volta do ano de 1744, passou a integrar aquela recém criada jurisdição administrativa.
No ano de 1835, em pleno reinado de D. Maria II – a educadora – a freguesia do Porto Moniz foi elevada à categoria de concelho, tendo-se a sua instauração efectuado a 31 de Outubro desse mesmo ano.
Teve como primeiro administrador o capitão Tomás João Perestrelo da Câmara e como primeiro presidente da comissão administrativa da Câmara Municipal, o capitão da marinha Teodoro Moniz de Bettencourt.
O seu nome actual, está associado a um dos mais ancestrais povoadores, Francisco Moniz, nobre algarvio, casado com D. Filipa da Câmara, neta de João Gonçalves Zarco, grande impulsionador do povoamento do arquipélago da Madeira que se instalou em torno da capela de Nossa Senhora da Conceição, pelo mesmo erigida.
O brasão de Porto Moniz é constituído por um escudo de negro, com uma torre de prata aberta e iluminada de vermelho saínte de um mar de quatro faixas ondadas, duas de prata e duas de verde. A torre é acompanhada por duas canas-de-açúcar de ouro sustidas e folhadas do mesmo. Em chefe um cacho de uvas de ouro folhado e sustido do mesmo, carregado por uma quina das armas de Portugal das suas cores, acompanhado por duas estrelas de ouro de oito raios. A coroa mural de prata de quatro torres. Possui ainda um listel branco, contendo a legenda a negro: " VILA DE PORTO MONIZ ".

Torre de Prata Aberta de Vermelho, tem prata porque era o metal mais indicado para retratar uma torre em contraste com um fundo negro; o vermelho das aberturas da torre aparece pelo contraste e vida que transmite à prata. Essa torre representa a construção de fortes que defendiam a costa.
A torre tem seu um desenho próprio, não devendo ser confundida com um castelo. A palavra provém do latim "turre", é uma peça que se apresenta isolada e, conforme o seu desenho, tem uma significação. A torre é parte de destaque do castelo e geralmente é representada com uma porta e duas janelas. A torre mais alta ou de maior proeminência do castelo é chamada de torre de homenagem; quando aparece com três torres sobrepostas diz-se donjonada; quando podem ser notadas as janelas, esclarecida. Quando aparece o tecto, coberta; quando tem a porta com grade e pontas na parte inferior, diz-se gradeada. Quando a torre é acompanhada com chamas nas janelas e sobre as ameias ou seteiras diz-se ardente. O ondeado de verde e prata - Significa o oceano banhando uma povoação com as suas águas tranquilas. A cana-de-açúcar – representa as grandes plantações existentes na ilha da Madeira. O cacho de uvas representa a riqueza regional agrícola, daí ser de ouro, metal que denota nobreza, fidelidade, constância, poder e liberdade.
As estrelas de oito pontas normalmente representam o Sol, mas aqui, neste brasão aparecem duas estrelas de oito pontas. As estrelas de oito pontas apontam em todas as direcções, representando também os pontos cardeais. A estrela de oito pontas ou rosa-dos-ventos simboliza o espírito que sopra sobre as águas originais. É a stella maris, a estrela-do-mar, o sinal do espírito que pousa sobre as águas. Nas crenças cristãs, este é o símbolo da alma regenerada pelas águas do Baptismo e, numa ordem inferior, símbolo da pia de água benta.
Outros significados são atribuídos às oito pontas da estrela, por exemplo, as 8 pontas da estrela simbolizam os homens, 8 é o número mágico do homem, razão e objecto da actividade funcional do Centro. Na mitologia, a Estrela Polar era tida como a intercepção única entre o mundo sombrio dos homens e a refulgente morada dos deuses eternos. Na esperança de merecer a passagem e entrar na casta dos heróis semi-deuses, os homens submetiam a sua vontade a provas de terrífica coragem. Também aqui a Estrela de oito pontas representa, para os que cruzarem o tamis, a passagem, definitiva ou temporária, da sociedade civil para o universo paralelo da instituição militar.
Crê-se que a utilização de duas estrelas de oito pontas, no brasão da Vila de Porto Moniz, se prende com critérios de simetria em vez de outros significados.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 344 "Brasão da Ponta do Sol"

Isabel Neves e Félix Rodrigues

O nome “Ponta do Sol” advém-lhe da situação geográfica dessa localidade da ilha da Madeira ("uma ponta onde se vê o sol desde que nasce até que se põe") e da existência de uma forma arredondada na rocha, com veios ramificados e que se assemelha ao sol.
Esta freguesia foi criada no 3º quartel do século XV. Os primeiros colonos fixaram-se nesta zona, cerca de 1440. O primeiro núcleo donde irradiou a freguesia, pertenceu a Rodrigues Enes – o Coxo.
A freguesia da Ponta do Sol, pelo seu rápido e largo desenvolvimento, atraiu um número considerável de indivíduos, vindos do continente e ainda do estrangeiro, que ali obtiveram muitas terras de sesmaria, sendo alguns deles o tronco de importantes casas vinculadas que tiveram sua sede nesta localidade e subsistiram até os nossos dias. De salientar o Solar dos Esmeraldos, construído no séc. XVI no período de apogeu do açúcar, que hoje se encontra recuperado e a funcionar como escola.
O infante D. Luís, depois rei de Portugal, visitou esta freguesia no dia 25 de Outubro de
1858, dirigindo-se á pitoresca estancia do Rabaçal e regressando a esta vila no dia imediato.
Situada a 18 Km do Funchal, Ponta do Sol é a sede do Concelho. Localizada na costa sul da Ilha da Madeira, é limitada a oeste pelo concelho da Calheta, a norte pelos concelhos de São Vicente e Porto Moniz, e a leste pelo concelho da Ribeira Brava, é sede de um pequeno município com 43,80 km² de área e 8 125 habitantes (2001).
A extensão deste concelho viu-se reduzida ao longo dos anos. Em 1511, com a criação da vila da Calheta e em 1914, depois da criação do novo concelho da Ribeira Brava. Hoje, a sua área distribui-se por 3 freguesias: Canhas, Madalena do Mar e Ponta do Sol.
Não há duvidas que este povoado apareceu ainda no século XV e que devido ao seu porto e terras férteis, progrediu tão rapidamente que se pode afirmar com segurança que, antes de 1486, já a população tinha a sua igreja, atribuindo-se a construção a Rodrigo Enes, um dos primeiros colonos da Ponta do Sol.
O brasão da Ponta do Sol é constituído por um escudo Azul, sob o qual existe um sol de raios de ouro. A coroa mural de prata tem quatro torres. Possui ainda um listel branco, contendo a legenda a negro, em maiúsculas: "PONTA DO SOL".

O Azul indicado para o campo das armas é o esmalte que em heráldica significa o Ar e o Céu, o firmamento. Pela sua pureza, esta cor significa zelo que é rectidão afincada num dever, significa lealdade que é zelo para com uma pessoa e simboliza caridade porque o Azul dá uma sensação de bem estar espiritual, através da serenidade dos seus tons, que lembra o bem estar interior nascido da prática de um bom acto.
O Sol em heráldica é sempre representado a ouro, tendo este metal o significado da fé, da fidelidade, do poder e da liberdade.
O Ouro é o metal que naturalmente indica Sol, representa a luz que ilumina as almas e as inteligências e significa os dons mais altos do espírito: a Fé, a Pureza, a Fortaleza e a Constância. Tudo isto sugere os reflexos esplendorosos do Ouro, o mais precioso dos metais, excelso padrão de riqueza.
O sol no brasão municipal era considerado força, poder permanente, dia para todo o sempre, ou então, seria para indicar que o mesmo brasão, para além do poder que inspirava, estava sujeito a um poder mais alto, o poder celestial representado pelo astro principal.
O Sol do brasão da “Ponta do Sol” é espécie de estrela de dezasseis raios com aparente movimento giratório, que resulta da associação de raios triangulares com raios ondulados e onde o quatro vezes quatro alimenta o desenvolvimento do homem e do universo.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 343 "Brasão de Valença"

Félix Rodrigues

Valença é uma vila portuguesa da região Norte, na subregião do Minho-Lima.
Esta vila recebeu foral de D. Sancho I, sendo então designada de Contrasta. Mudou para o actual nome em 1262. É designada por vezes por Valença do Minho.
O brasão tem como Armas um escudo vermelho com um castelo de prata aberto e iluminado do campo, tendo a torre central carregada por uma quina das armas de Portugal. O castelo está acompanhado por dois cachos de uvas de cor púrpura, assentes em parras de ouro em chefe, de um crescente de prata e um sol de ouro. Em contra-chefe uma ponte de prata realçada de negro, aberta de três arcos e assente em quatro faixas ondadas, duas de azul e duas de prata. A coroa mural de prata tem quatro torres. Possui um listel branco com uma legenda a negro que contem a palavra " VALENÇA " (ver imagem).
A meia-lua de prata neste brasão, tanto pode representar a visão que S. João teve da Imaculada Conceição, como pode ser um sinal da vitória do cristianismo sobre o islamismo, cuja interpretação aparece a partir do século XVII. Essa Lua encontra-se em fase minguante, mas por vezes é chamada de crescente.
Observa-se no brasão de Valença, à direita, um sol antropomorfo com 16 raios. A representação antropomórfica do Sol remonta à Pré-História, onde este era considerado fonte da vida das plantas e animais.
Na grande civilização egípcia venerava-se o deus Rá (deus do Sol), ao qual se prestava o devido culto. Tal aconteceu também durante o Período Romano onde Deus Sol Invictus, era um título religioso dado a três divindades distintas durante o Império Romano tardio. O imperador Aureliano introduziu o culto oficial do Sol Invicto em 270 d.C., fazendo desse Deus Sol, a primeira divindade do império. O culto do Sol Invicto continuou a ser a base do paganismo oficial até ao triunfo da cristandade - antes da sua conversão.
Do culto ao Deus Sol, actualmente só permanece a data de 25 de Dezembro, que era o dia de adoração pelos romanos deste deus saído das cavernas, e cujo dia de celebração os cristãos aproveitaram para consagrar como sendo o dia do nascimento de Cristo por ele ter sido declarado "a luz do mundo".
Ainda no século XVI, o culto ao Sol é condenado em compromissos de confrarias, ou até por certos intelectuais, como Garcia de Resende (1470-1536), na sua Miscelânea. Ora, esta condenação do culto solar comprova, efectivamente, que a sua prática ocorria ainda no Portugal no século XV.
Na Idade Média, o Sol era ainda considerado deus, o dador da vida. O deus sol viajava pelo zodíaco (a roda dos animais), sendo também referido como “A luz do Mundo” ou o “Salvador da Humanidade”, ou seja atributos que passaram para Jesus Cristo.
Nas figuras seguintes apresentam-se duas representações medievais, que justificam possíveis interpretações do sol radiante antropomorfo presente no brasão de Valença.
Crê-se que esse Sol radiante antropomorfo possa representar a influência do Sol na Terra, na Natureza, na agricultura ou no homem. Também poderá significar o pai, a fonte de vida, tal qual sugere a ilustração medieval seguinte, ou ainda o protector da humanidade.
Sempre se entendeu que as mulheres e os homens têm necessidades diferentes. Na idade média criaram-se mistérios masculinos e femininos. Para a mulher a maternidade, a comunhão com a flora, entre outros. Para o homem, a caça, a guerra ou a comunhão com a fauna. A mulher regida pela Lua; o homem, pelo Sol. Porém, para recriar os ciclos da Natureza, o princípio feminino e masculino juntavam-se: diferentes, porém complementares.
Nas representações medievais do Sol, este aparece quase sempre como um sol radiante antropomorfo. A conjunção do sol e lua no brasão de Valença, também poderá querer significar equilíbrio, criação, fertilidade.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 342


Tetis-A Lua gelada de Saturno.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 341


Nublosa IC 1795.

2009-12-09

Geminídas - Chuva de estrelas


As Geminidas são uma chuva de meteoros que ocorre anualmente entre 6 e 19 de Dezembro. Este ano de 2009 atinge o seu máximo nos dias 13 e 14 de Dezembro com um produção de cerca de 60 meteoritos multicolores por hora. Esta chuva de meteoros resulta da passagem da Terra pela órbita do asteróide #3200 Phaeton. Os meteoros desta chuva parecem provir da constelação do Gémeos.

2009-12-06

Ano Internacional da Astronomia - Dia 340


Escultura de poeiras na neblosa da Roseta.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 339


Galáxia NGC 660.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 338


Céu dos Himalaias.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 337


Cometa McNaught.

2009-12-05

Ano Internacional da Astronomia - Dia 336 "Bússola Chinesa ou Luo Pan”

Félix Rodrigues

Luo significa a rede que tudo liga, e Pan, um utensílio ou prato. Assim sendo, Luo Pan é um instrumento que alegoricamente se refere à ligação entre o Céu e a Terra, que se crêem ligados pelas forças electromagnéticas presentes em toda a matéria. Luo Pan é uma bússola chinesa muito antiga, que se acreditava, e ainda se acredita, que é capaz de medir fluxos e posições energéticas dos astros que influenciam o planeta Terra. A Luo Pan representa, em ideogramas chineses, várias escolas da Cosmologia Chinesa.
As primeiras noções cosmológicas chinesas encontradas no Huainanzi e Zhoubi descrevem o movimento que o astro-rei faz no céu entre o nascer e o pôr-do-sol como sendo um quadrado. Consideravam o Céu como um Círculo (mundo natural - Divino) e a Terra, uma forma Quadrada (Conceito de Ordem). Essa conjunção de formas pode ser vista nos resquícios da cultura Hongshan (cerca de 3500 a.C.), no jogo ancestral denominado Liu Bo (uma das bases do Xadrez), no Templo do Céu em Pequim e está projectada na Luo Pan.
Tal ideia de mundo era muito próxima da do mito que apareceu no ocidente muito mais tarde, onde se dizia que a terra era considerada plana, coberta por uma cúpula de estrelas. Tal ideia está perfeitamente ilustrada na imagem que abaixo se apresenta. No entanto, o cientista Jorge Buescu, no seu livro “Da falsificação de euros aos pequenos mundos” afirma e tenta provar que tal mito não vigorou na Europa durante a Idade Média.
A bússola chinesa do Museu de Angra do Heroísmo é uma dessas bússolas, ainda não datada. Estudar os anéis dessa bússola chinesa é importante para se compreenderem os significados astronómicos, matemáticos e mitológicos do Universo Chinês e também para um melhorar o entendimento da evolução da construção do conhecimento humano.
Há milhares de anos que os chineses tentam compreender e interpretar fenómenos astronómicos e cosmológicos como o Sol, a Lua, as estrelas, a Terra e o homem. Dessas tentativas de interpretação do cosmos, que datam de pelo menos 7000 anos atrás, surgiram tradições como a de Ming Shu (comummente conhecida como os mitos dos Animais Sagrados: Pássaro Vermelho, Dragão Verde, Tigre Branco e Tartaruga Negra) a partir das quais foi possível estabelecer as bases para a identificação dos quatro pontos cardiais, pelos quais nos orientamos hoje em dia, e das quatro diagonais, que posteriormente se relacionaram com os 8 trigramas do I Ching (Livro das Mutações / Yi Jing), de extrema importância na cosmologia chinesa, como adiante se verá. O I Ching inspira muitas técnicas orientais, sendo Confúcio (nascido em Kung-Fu-Tzu no ano 551 a.C) um dos seus autores. Confúcio é considerado o mais eminente e consagrado de todos os mestres e sábios chineses, cujas obras influenciaram, e influenciam, a formação da cultura, da História e do pensamento chinês.
A Luo Pan é simultaneamente um instrumento de astrologia chinesa, mas também um modelo arcaico do cosmos. Aqui centrar-nos-emos apenas nos aspectos cosmológicos já que as crenças e propriedades desse instrumento não estão cientificamente comprovadas, no entanto, é de todo impossível omiti-las.
A Luo Pan, além de uma simples bússola, é na verdade, uma complexa tabela com forma circular. Na figura seguinte apresenta-se uma imagem desse instrumento. A Luo Pan do Museu de Angra do Heroísmo, pertence à tradição da cidade de San Yuan.
Desde muito cedo que os chineses foram capazes de encontrar os pontos cardiais, através da observação do movimento aparente do Sol durante o dia, e da Lua e das Estrelas, durante a noite (principalmente o da direcção da Estrela Polar no momento da sua passagem meridional).
Embora a agulha magnética seja conhecida na China há mais de 3000 anos, foi entre 475 a.C. e 221 a.C. que um tipo de Luo Pan, para cunho divinatório, chamada “Si Nan” foi inventada.
Esse aparelho tinha duas componentes básicas: uma colher magnetizada que apontava para a Ursa Maior e a Estrela Polar, e um prato quadrado com inscrições na base. De facto, as agulhas magnetizadas apontam para o pólo Norte geográfico, sob o qual se localiza a Estrela Polar. Esse facto levou a que pudesse ser utilizada na navegação marítima moderna a partir do conhecimento da declinação magnética dessa agulha com a longitude.
Durante a Dinastia chinesa Han (206 a.C.-220 d.C), a “Si Nan” foi aperfeiçoada e passou a denominar-se “Shi Pan”, esta última considerada como a bússola mais antiga em funcionamento no mundo.
Durante a Dinastia Song (960-1279), de acordo com o livro “Ming Xi Bi Tan“ (Registo das Conversas de Ming Xi, que foi intitulado “A Primavera Sonhada”), escrito pelo cientista chinês Shen Kuo, existiam quatro tipos de Agulhas Magnéticas: a da Unha, a Molhada, a Seca e a Pendurada. Hoje em dia, tal classificação não faz qualquer sentido físico.
No final da Dinastia Song (a partir de 1127), com desenvolvimento da navegação marítima e com o aumento da precisão das agulhas magnéticas, apareceu bússola San-He. Foi apenas na Dinastia Ming e Qing (1368-1911) que os anéis da Luo Pan se tornaram detalhados e muito mais complexos.
Para uma melhor compreensão da visão do mundo incluída na Luo Pan, apresenta-se em esquema o que está representado em cada um dos seus círculos. Tal como referido anteriormente, a sua forma circular representa o céu, que por vezes se apoiava num prato quadrado que representava a terra que se acreditava ser plana.
O arranjo do céu primordial é um conceito filosófico chinês que representa oito possíveis mutações do céu, mutações essas, semelhantes às que ocorrem na natureza com as estações do ano (refira-se que os chineses possuem 24 estações e que 3x8 =24). Cada uma dessas mutações tem três níveis distintos (trigramas) que a seguir se ilustram.
Esquema das oito mutações do céu primordial na cosmologia chinesa.
Cada mutação era considerada uma combinação de vários elementos, numa lógica semelhante à dos quatro elementos da visão física aristotélica, onde tudo se resumia à interacção entre o fogo, a água, o ar e a terra.
Trigramas chineses

Já no Livro do Génesis, adoptado pelo cristianismo europeu, o mundo primordial era função dos quatro elementos, Terra, Água, Ar e Fogo. “As águas estavam contidas nos céus e não na terra”, facto que levou o químico Helmont (1589-1644) a identificar os céus com o próprio Ar, e a Àgua e o Ar como dois elementos primogénitos que estavam na origem da constituição de todos os corpos. Há algum paralelismo entre os quatro elementos da teoria aristotélica e os oito trigramas chineses.
Na cosmologia chinesa existiam dois céus: o primordial e o posterior, em que o posterior correspondia a uma rotação do primordial, ou seja, a uma transformação do céu anterior.
Os símbolos utilizados na Luo Pan, estão relacionados com esses arranjos dos céus, bem como com as influências que eles teriam no ser humano.
Na figura seguinte apresentam-se os significados dos símbolos anteriormente referidos e utilizados na Luo Pan, de modo a facilitar a sua leitura ou interpretação, onde o planeta Terra ocupa o centro.
É perceptível que cada elemento primordial seja dado pela orientação da agulha magnética na Luo Pan.
O Rei Wen, da Dinastia chinesa Zhou, escreveu que:
"No início havia o Céu e a Terra. Céu e a Terra uniram-se e deram origem a tudo que existe no mundo”. Tal pensamento traduz claramente a cosmologia que aqui se refere e parece ser evidente a semelhança com o que consta no livro do Génesis e com a posição do químico Helmont. Também é fácil perceber que o trigrama Qian, que representa o Céu, e o trigrama Kun, que representa a Terra, tem que estar em posições opostas (Norte e Sul). Os seis trigramas restantes têm conotações com os filhos e as filhas (filhos da Terra e do Céu).
As 24 montanhas referidas no Luo Pan resultam de oito mutações associadas a três trigramas. Mais uma vez se verifica que esse número vinte e quatro, coincide com o número de estações do ano chinesas, num harmonia que se pretende entre o Céu, a Terra, o Ambiente, a Natureza e os seus filhos e filhas.
O anel de ameaça e perseguição presente na Luo Pan tem uma lógica astrológica, onde se crê que os céus podem ditar a má sorte e a perseguição dos homens. Essa má sorte poderia ser evitada se o indivíduo em questão seguisse o curso natural da energia ambiental envolvente, medida pela agulha magnética, que indicaria a direcção correcta, do mesmo modo que a água flúi ao longo de uma montanha “conhecendo” perfeitamente o rumo que toma. Assim o ser humano deveria seguir a direcção que naturalmente lhe é indicada pela natureza. Essa lógica está patente nos círculos cinco, seis e sete da Luo Pan.
De acordo com uma lenda chinesa, as carpas do Dragão Dourado nasceram com um único desígnio na vida: atravessar as portas do céu para se transformarem em dragões. Era devido a esse destino que as carpas eram capazes de subir as correntes dos rios para chegar ao paraíso. Essas capacidades das carpas foram transferidas simbolicamente para o ser humano que para atingir a perfeição ou a excelência teria que passar as oito portas do dragão. É sobre as direcções que o ser humano deve seguir, com vista a atingir a perfeição que o oitavo círculo da Luo Pan se debruça.
O nono círculo da Luo Pan, refere-se aos signos chineses que se apresentam na imagem seguinte.
São doze os animais do horóscopo chinês, cada um deles com uma personalidade diferente, que se acredita que a reflectem sobre os seus nativos. O calendário chinês é um calendário lunar, por isso cada ano novo começa numa lua nova, que ocorre entre 21 de Janeiro e 20 de Fevereiro sendo os seus signos associados às transições da Lua e não à transição do Sol.
Como é fácil perceber, também os signos chineses tem uma orientação relativamente à Terra e são facilmente combinados com os oito trigramas. A Luo Pan, numa lógica matemática básica, combina todas essas visões. O facto de se poder combinar todas as crenças, todas as observações astronómicas e muitas das lendas com os elementos primordiais (trigramas), torna difícil de explicar, aos indivíduos cientificamente pouco formados, porque razão esse modelo de universo não funciona.
De acordo com outra lenda chinesa, consta que o Imperador de Jade, embora fosse o grande senhor dos Céus, desconhecia a vida na Terra. Esta ignorância levou-o a pedir ao seu Conselheiro-Mor que lhe trouxesse os doze animais mais interessantes que viviam na Terra, para que os pudesse avaliar. O seu súbdito assim fez e os animais que escolheu estavam diante o Imperador às 6 horas da manhã do dia seguinte.
Embora os doze animais sejam o aspecto mais conhecido da Astrologia chinesa, estes constituem apenas uma parte do sistema chinês de contagem dos anos. Na China, o tempo é medido em ciclos de 60 anos. Tanto a contagem de tempo chinesa como a lógica de organização da Luo Pan, tem por detrás uma base que não é a decimal, mas praticamente sexagesimal.
O décimo círculo da Luo Pan, está mais uma vez relacionado com lendas chinesas, desta vez com o quadrado mágico de Luo Shu.
Há cerca de 4000 anos atrás, apareceu a boiar nas águas do rio Lo, diz a lenda chinesa, a carapaça de uma tartaruga negra gigante (um dos animais sagrados da mitologia chinesa), onde estavam inscritas umas marcas estranhas (ver figura seguinte).
As marcas encontradas na carapaça, se colocadas num quadrado, onde nenhum dos números se repetia, somavam sempre 15, fosse qual fosse a direcção seguida para efectuar essa operação. Tratava-se, de acordo com os antigos chineses, de um quadrado mágico, onde a posição do 5 (a Terra) tem um papel fundamental na obtenção do mesmo resultado para a soma de três números, em qualquer direcção (que poderia ser obtida por uma bússola) e sem repetir nenhum deles.
O número 15 é o número de dias de cada um dos 24 ciclos ou estações chinesas. A disposição dos números do quadrado de Luo Shu, numa lógica de “mutações”, permite associar-lhe oito trigramas e simultaneamente, oito direcções que poderiam ser pesquisadas, mais uma vez, com uma agulha magnética.
Ainda numa lógica matemática, os oito trigramas, Terra, Água, Lago, Fogo, etc, poderiam combinar-se entre si e originar hexagramas. Sendo oito os trigramas e podendo cada um combinar-se consigo próprio, como por exemplo Terra com Terra, obtêm-se sessenta e quatro hexagramas (8x8). As posições dos hexagramas no Céu, os seus nomes, a sua influência nos céus, na vida das pessoas e na ordem do universo, fazem parte dos círculos 11, 12, 13, 14 e 15 da Luo Pan.
Cada hexagrama, na organização do universo chinês arcaico, tem um nome e também se acredita que tem uma influência no ser humano. De seguida apresentam-se os nomes dos hexagramas presentes no Luo Pan.
1.qián, o Criativo; 2.kūn, o Receptivo; 3.zhūn, a Dificuldade Inicial; 4.mēng, a Insensatez Juvenil; 5.xû, a Espera; 6.sòng, o Conflito; 7.shī, o Exército; 8.bì, a Solidariedade (A União); 9.xiǎo chù, o Poder de Domar do Pequeno; 10.lǚ, a Trilha (A Conduta); 11.tài, a Paz; 12.pǐ, a Estagnação; 13.tóng rén, a Comunidade dos Homens; 14.dà yǒu, Grandes Posses; 15.qiān, a Humildade (Modéstia); 16.yù, o Entusiasmo; 17.suí, o Seguir; 18.gǔ, o Trabalho sobre o que foi Corrompido; 19.lín, a Aproximação; 20.guān, a Contemplação; 21.shì kè, o Morder; 22.bì, a Graciosidade (Beleza); 23.bō, a Desintegração; 24.fù, o Retorno (O Ponto de Mutação); 25.wú wàng, a Inocência; 26.dà chù, o Poder de Domar do Grande, 27.yí, o Prover Alimento; 28. dàguò, a Preponderância do Grande; 29.kǎn, o Abismal (A Água; O Insondável); 30.lí, a Adesão (O Fogo); 31.xián, a Influência (O Cortejar); 32.héng, a Duração; 33.dùn, a Retirada; 34.dà zhuàng, o Poder do Grande; 35.jìn, o Progresso; 36.míng yí, o Obscurecimento da Luz; 37.jiā rén, a Família; 38.kuí, a Oposição; 39.jiǎn, o Obstáculo (A Obstrução); 40.jiě, a Liberação; 41.sǔn, a Redução; 42.yì, o Aumento; 43.guài, a Determinação; 44.gòu, Ir ao Encontro; 45.cuì, a Reunião; 46.shēng, a Ascensão; 47.kùn, a Opressão (A Exaustão); 48.jǐng, o Poço; 49.gé, a Revolução; 50.dǐng, o Caldeirão; 51.zhèn, o Incitar (A Comoção; O Trovão); 52.gèn, a Quietude (A Montanha); 53.jiàn, o Desenvolvimento (O Progresso Gradual); 54.guī mèi, a Jovem que se Casa; 55.fēng, a Abundância (A Plenitude); 56.lǚ, o Viajante; 57. xùn, a Suavidade (O Vento); 58.duì, a Alegria (O Lago); 59.huàn, a Dispersão (A Dissolução); 60. jié, a Limitação; 61.zhōng fú, a Verdade Interior; 62.xiǎo guò, a Preponderância do Pequeno; 63.jì jì, Após a Conclusão e 64.wèi jì, Antes da Conclusão.
A combinação dos atributos anteriores permitia produzir uma influência única ou um diagnóstico singular para cada indivíduo, já que a combinação de todos esses itens produz um número enorme de possibilidades de visões ou influências astrais. Ora, cada hexagrama tem seis linhas, o que quer dizer que é possível obter 6x64=384 linhas distintas no conjunto de todos os hexagramas. Essas linhas são referidas no décimo nono círculo da Luo Pan.
A lógica matemática da construção de hexagramas a partir de trigramas e do número de linhas dos hexagramas é muito próxima da organização do tempo e contagem do tempo chinês.
Na China, o tempo é dividido em nove idades, cada uma com vinte anos. Cada grupo de 3x20 anos corresponde a um período. Um ciclo temporal completo são 180 anos. Assim, cada ciclo tem três períodos. Crê-se que o número três pode ser representado por um trigrama, 60 por 6x10 ou seja dez hexagramas. Assim, a ligação entre o hexagrama e o calendário chinês parece coerente uma vez que aí existem vinte e quatro estações (3x8) que é igual ao produto do número de linhas de um trigrama pelo número de trigramas. Essa lógica está patente nos círculos 15 e 21 da Luo Pan.
Não é de estranhar a crença na coerência desses números que compõe o universo chinês arcaico. Já na Grécia Antiga, principalmente com a escola pitagórica, iniciou-se um processo de sacralização da música enquanto referência fundamental para o conhecimento do universo. A “harmonia das esferas”, era uma teoria que atribuía aos planetas movimentos regidos por leis análogas às da consonância musical. Essa teoria veio a ter uma imensa projecção na ciência ocidental. Defendia-se essa teoria com o seguinte argumento: “As cordas soam por si mesmas. Não há nada de miraculoso nisso, uma vez que as Cinco Notas estão relacionadas entre si de acordo com os Números pelos quais o mundo está construído.”.
A organização da Luo Pan, parece beber de um princípio semelhante à teoria da “harmonia das esferas” e por consequência à “teoria das cordas”. Essa crença de harmonia fortalece-se com o facto das 24 estações chinesas poderem resultar do produto 3X8 (três linhas do trigrama vezes oito elementos).
As estações chinesas são: 1- Início da Primavera, 2- Menor frio, 3-Maior frio, 4-Água da chuva, 5- Despertar dos insectos, 6-Limite do Calor, 7- Equinócio de Inverno, 8-Clara e brilhante, 9-Grão Chuva, 10-Início de Verão, 11-Grão integral, 12-Grão de Orelha, 13-Solstício de Verão, 14-Menor calor, 15-Maior calor, 16-Início do Outono, 17-Mínimo branco, 18- Equinócio do Outono, 19-Orvalho frio, 20-Descida do gelo, 21-Início de Inverno, 22- Mínimo de Neve, 23- Máximo de Neve, e 24 -Solstício de Inverno. A conjugação das orientações da agulha com as estações do ano chinesas aparece no círculo vigésimo primeiro da Luo Pan.
O vigésimo segundo círculo da Luo Pan, denominado de Qi Men Du Jia, prende-se mais uma vez com aspectos exclusivamente astrológicos e está ligado a um antigo oráculo chinês.
Foi durante a Dinastia Shang (entre 1520 e 1030 a.C.), que os astrónomos chineses dividiram os céus em 28 mansões lunares, cada uma correspondente a uma secção do equador onde a Lua se situaria em épocas de especial interesse. Na Luo Pan, essa lógica de divisão dos céus está patente nos círculos 23 e 25. O círculo 24, traduz mais uma vez a crença de que a posição da Lua tem influência na vida humana.
No último círculo da Luo Pan, têm-se a divisão do céu em 360º. A numeração chinesa é um dos sistemas de numeração mais antigos e complexos da história. A matemática chinesa não surgiu sozinha, há estudos que comprovam que ela existia desde a Dinastia Han, da mesma época do Império Romano e nas transacções comerciais com outras regiões da Ásia. Assim pode afirmar-se que a ciência chinesa sofreu influência dos árabes e dos indianos e também influenciou outras regiões.
O facto da Luo Pan ter uma divisão sexagesimal dos céus pode dever-se a influências Sumérias. O sistema sexagesimal é um sistema de numeração de base 60, criado pela antiga civilização Suméria. Uma possível razão para o aparecimento deste sistema de numeração poderá residir no elevado número de divisores de 60 (1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20, 30 e 60). Outra hipótese poderá vir da união de um sistema de contagem de base 5, que se baseava em contar com os dedos da mão, e o sistema de contagem de base 12, que usava o método das três falanges. O sistema consistia em contar as falanges dos dedos da mão direita, utilizando o polegar, totalizando doze falanges (três falanges em quatro dedos), com os cinco dedos da mão esquerda, contam-se as dúzias, totalizando cinco dúzias ou seja 60.
A Luo Pan é, em termos de funcionamento astrológico, muito complexa, porque também é complexa a estrutura do cosmos que aí se representa. Trata-se de uma visão arcaica similar a outras visões europeias arcaicas do universo. Apesar da complexidade, a maioria dos argumentos não tem qualquer fundamento científico na actualidade.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 335 "Brasão do Norte Pequeno"

Félix Rodrigues

O Norte Pequeno é uma freguesia do concelho da Calheta, localizada na costa norte da ilha de São Jorge, com 11,59 km² de área e 261 habitantes.
O núcleo populacional original foi formado por pessoas oriundas da vila da Calheta que por volta de 1690 edificaram uma ermida, dedicada a São Lázaro, embrião da actual igreja paroquial, a Igreja de São Lázaro. A ermida foi em 1712 erigida em curato, sendo finalmente desligada da Matriz da Calheta no ano de 1748, passando a paróquia independente.
O brasão do Norte Pequeno é constituído por um escudo verde, uma rosa dos ventos de prata, guarnecida e com o norte de vermelho, entre duas liras de prata, em chefe e uma vaca leiteira passante, de prata, malhada e ungulada de negro. A coroa mural de prata tem três torres. Possui ainda um listel branco, contendo a legenda a negro: “ NORTE PEQUENO “.
Os quatro pontos cardeais desse brasão, são assinalados com flores-de-lis. É quase impossível precisar a origem deste símbolo. A imagem da flor-de-lis foi usada nas armas da França em 496. O seu desenho era colocado no manto dos reis na época anterior às Cruzadas, na indumentária de luxo dos reis, nos pavilhões, nas bandeiras e, ainda hoje, em vários brasões de municípios franceses.
Em 1125, a bandeira da França apresentava um campo semeado de flores-de-lis, o mesmo acontecendo com o seu brasão de armas até o reinado de Carlos V (1364), quando passaram a figurar apenas três flores-de-lis. Refere-se que esse rei teria adoptado oficialmente o símbolo como emblema para honrar a Santíssima Trindade.
Na heráldica, crê-se que a flor-de-lis tenha tido a sua origem na flor-de-lótus do Egipto, no entanto há quem defenda que foi inspirada na alabarda ou lírio - um ferro de três pontas que se fincava nas fossas ou covas para espetar quem ali caísse. Outra possível origem é a de que seja uma cópia do desenho estampado nas antigas moedas assírias e muçulmanas. A flor-de-lis é símbolo de poder e soberania, assim como de pureza de corpo e alma.
A determinação dos rumos ou das direcções dos ventos têm origem na antiguidade. Na Grécia Antiga começaram por associar aos ventos dois rumos, depois quatro, oito e finalmente doze rumos.
No início do século XVI, na época do Infante D. Henrique, surgem já 16 rumos (semelhante à representação do brasão do Norte Pequeno) e também já se usavam rosas-dos-ventos com 32 rumos. No início o rumo era associado exclusivamente à direcção do vento, só mais tarde é que se os associaram aos pontos cardeais.
A tradição de decorar o Norte com uma flor-de-lis tem origem nas armas da família Anjou que reinou em Nápoles.
Na cartografia antiga aparece sempre a figura da rosa-dos-ventos. Os portugueses apresentavam-na com desenhos lindíssimos e incluíam algumas inovações, que vieram tornar-se hábito em toda a Europa, como por exemplo a flor-de-lis, para indicar o norte, e a cruz de Cristo para indicar o Oriente (ver figura seguinte).

O destaque a vermelho, da flor-de-lis que indica o norte, no brasão do Norte Pequeno, bebe dessa antiga tradição.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 334 "Brasão de Montemor-O-Novo"

Félix Rodrigues
O brasão da cidade de Montemor-O-Novo é constituído por um escudo de prata, com um monte de negro, rematado por um castelo azul, aberto e iluminado, encimado por uma romã verde, rachada a vermelho e rematada por uma cruz latina a negro. O castelo é acompanhado à direita de um crescente e à esquerda de um sol, ambos a vermelho; em contra chefe assente na base do monte, uma ponte de três arcos de prata, sobre uma ponta ondada de faixetas de azul e prata. Como coroa tem um mural de cinco torres de prata. O listel de prata tem uma legenda a negro identificativa da cidade de Montemor-O-Novo.

O crescente e o sol são dos símbolos mais utilizados pela humanidade, foram encontrados, por exemplo, em selos de Akkadian, na Mesopotâmia, desde 2300 a.C..
O crescente era frequentemente usado pelos fenícios no século VIII e pelos turcos no século XII, surgindo uma referência ao mesmo no próprio Corão, como o símbolo principal do Islão. Neste contexto, é difícil entender que numa sociedade católica, por vezes fundamentalista, como era a sociedade medieval portuguesa, que vilas e cidades portuguesas adoptassem símbolos com conotações religiosas islâmicas. De facto, o antigo brasão de Montemor-O-Novo, que se apresenta na imagem seguinte, não tem qualquer simbologia ou associação imediata ao islamismo ou cultura árabe.
Como é fácil perceber, o brasão actual de Montemor-O-Novo, surge na sequência publicação da lei nº142/85 de 18 de Novembro, onde o município entendeu adaptar e redesenhar o antigo brasão da cidade. O novo brasão incorpora alguns elementos do antigo, como o monte, a torre do castelo e a ponte, passando esta última dos dois arcos visíveis no antigo brasão para três arcos visíveis no novo. É no novo brasão que aparecem o Crescente e o Sol, alusivos à presença fenícia no Baixo Sado e não como conquista da cidade aos mouros ou influência mourisca na cidade.
As mais antigas referências de bandeiras com o crescente datam do século XIV, em cartas de navegação. Dos séculos XIII ao XVIII as bandeiras surgiam frequentemente com 3 crescentes, e em 1793, o número foi reduzido para um e uma estrela com 8 pontas. Depois do fim do império Otomano, a Turquia, o Estado com maior reconhecimento internacional, ajudou a projectar, entre o mundo muçulmano, o crescente acompanhado por uma estrela.
Durante os séculos XIX e XX, foram vários os países que adoptaram o crescente e a estrela, nomeadamente países árabes do Norte de África e do Médio Oriente, como por exemplo a Tunísia, Líbia e Argélia.
A designação de crescente, para uma Lua em forma de C, só poderá ter influência de outras línguas, pois essa forma da Lua representa-a em Quarto-Minguante. Noutras línguas como o inglês, à Lua em forma de C (quarto minguante) chama-se “Waning Crescent” onde waning tem o significado de decrescimento e “crescent” tem o mesmo significado que se atribui em português. Parece haver contradição na língua inglesa pois “Waning crescent”, traduzido à letra ou mesmo em significado, seria decrescimento do crescente, todavia as duas palavras não se podem separar para identificar a fase correcta da Lua, como por exemplo em português Terra-Chã ou pôr-do-sol. Em francês, o termo para o “quarto crescente” é “Dernier croissant” que traduzido à letra seria “Último crescente”, apesar de a lua estar a decrescer, mas o termo “crescente” também está presente.
Por outro lado, a forma da Lua, em C ou em D, apesar de ser diferente no hemisfério Norte e no hemisfério sul, correspondem a fase distintas.
As fases lunares acontecem de igual modo para todos os lugares da Terra, o que quer dizer que quando é Lua Cheia num local, será Lua Cheia para todos os locais da Terra, nesse mesmo instante, o mesmo se passa com a Lua Nova, todavia o que muda, é a imagem da Lua vista por um observador colocado no hemisfério Norte ou no hemisfério Sul das fases “Quarto Crescente” ou “Quarto Minguante”. No hemisfério Norte a imagem da Lua está invertida em relação à imagem da Lua obtida por um observador no hemisfério Sul.
No Hemisfério Norte quando a Lua está na fase crescente, vemo-la com a forma da letra “D” enquanto que um observador no Hemisfério Sul a vê com a forma da letra "C". O mesmo se passa com a imagem da Lua obtida por observadores em hemisférios diferentes, na fase minguante da Lua.
Na figura seguinte, apresentam-se as imagens da lua obtidas por observadores colocados em hemisférios diferentes em cada uma das suas fases.
Na linha do equador a forma das fases da Lua, minguante ou crescente é distinta do hemisfério Norte ou hemisfério Sul. Na imagem seguinte apresentam-se as fases da Lua vistas por um observador colocado na linha do Equador.
Na linha do equador o Quarto Minguante tem a forma de um U enquanto que o Quarto Crescente tem a forma de um “U invertido”.
Não é a relatividade das formas do Quarto Minguante observadas por indivíduos distintos nos dois hemisférios que são responsáveis pela atribuição do termo crescente ao símbolo do “crescente árabe”, pois a maioria dos países árabes que o utilizam situam-se no hemisfério Norte, como tal vêem a Lua em “Quarto crescente” com a mesma forma que os portugueses. Também não é expectável que seja uma influência dos observadores do hemisfério Sul, porque as grandes civilizações humanas, mais uma vez, se situavam no hemisfério Norte.

2009-12-04

Ano Internacional da Astronomia - Dia 333 "Brasão de Arganil"

Félix Rodrigues

Arganil é uma vila portuguesa no Distrito de Coimbra, região Centro e subregião do Pinhal Interior Norte, com cerca de 4 000 habitantes.
Por doação de D. Teresa, no início do século XII, o senhorio da vila de Arganil pertencia à mitra de Coimbra, e o bispo D. Gonçalo, em 25 de Dezembro de 1114, concedeu-lhe foral.
Até ao reinado de D. Afonso V, o direito de propriedade manteve-se nas mãos de particulares que, por troca, conseguiu integrar de novo Arganil na posse do reino, dividindo-a e reservando para si a parte que abrangia Pombeiro da Beira. Depois de outros acontecimentos, o rei D. Manuel I, no seguimento da reforma dos forais, concedeu em 8 de Junho de 1514 nova “carta” à vila.
O brasão da Vila de Arganil tem um escudo de prata com um pinheiro a verde realçado de negro, saínte de um terrado de verde também realçado de negro, acompanhado por dois crescentes de vermelho. A coroa mural de prata tem quatro torres e o listel branco, contem os dizeres " VILA DE ARGANIL ", a negro.


Também se encontram dois crescentes de vermelho, em forma de U, nos brasões de Alverca do Ribatejo e Vila de Borba. Os dois crescentes presentes no brasão da Cidade de Queluz tem a forma de C.
Os crescentes, que os mouros usavam, servem para indicar a civilização que anterior à actual a Vila de Arganil possuía, e o vermelho dos crescentes, representa a acção guerreira que aí ocorreu em tempos remotos até à posse, tomada em combate. O vermelho em heráldica significa vitórias, ardis e guerras.
Embora não faltem documentos referentes a Arganil e outras localidades do seu actual concelho, parece que só após a tomada de Seia, Viseu, Lamego e Coimbra, é que essa região se libertou definitivamente do jugo infiel. É possível que nem luta tivesse havido nessa época. Arganil, metida entre Seia, Viseu e Coimbra, que haviam sido tomadas pelos cristãos, e defendida dos muçulmanos da Beira Baixa, pela barreira física da Serra da Estrela, tinha uma defesa que fora confiada a uma pequena guarnição militar, dado o facto da maioria dos seus habitantes serem moçárabes.
Em 1111, há nessa região nova investida dos Sarracenos que os levou à conquista de Santarém, Lisboa e Sintra. “Para lhes obstar a conquista de Coimbra - diz o historiador padre Gonzaga de Azevedo - dera o conde D. Henrique, no mesmo ano, foral a Soure; nesse, ou nalgum dos imediatos. Miranda da Beira, pelo lado de Leste, e Santa Eulália, a Poente, sobre o Mondego, receberam presídios e foram repovoadas. Este sistema defensivo, constituído por três fortes castelos, que cobriam e desafogavam a cidade (de Coimbra) dos primeiros assaltos, era completado por outros redutos, levantados na direcção Nordeste-Sudoeste, e apoiados nos contrafortes da Serra da Estrela - Coja, Arganil e Seia - formando todos como que uma nova fronteira contra os inimigos do Sul”. Nesse contexto, os crescentes vermelhos do brasão de Arganil traduzem essa história de lutas contra os árabes, sem qualquer significado astronómico, no entanto poderá ter algum sentido astrológico ou místico como por exemplo na doutrina mística judaica (Qabalah - Cabala), todavia crê-se que esse tipo de simbolismo está totalmente ausente do brasão da Vila de Arganil.
No ocultismo antigo, afirmava-se que “nada existe sem um propósito”; argumentando-se hoje em dia que deve haver um Plano Superior para a criação e evolução do Universo, que abrange as galáxias e os sistemas solares, os sóis e os planetas, os átomos e as plantas, os animais e toda a humanidade.
No simbolismo da Cabala, por vezes, aparecem representadas duas luas e dois sóis, como a figura medieval seguinte, onde um homem e uma mulher seguram sobre os seus ombros um globo. O do homem contem o sol nascente e o sol poente e o da mulher, duas luas o nascente e o ocaso deste astro.
Apesar de ser nítida a associação do homem ao sol e da lua à mulher, como era típico na Idade Média, essa representação traduz também ensinamentos da natureza, como o nascimento e o ocaso dos astros do firmamento.


Desde sempre que os humanos se sentiram “envoltos por forças misteriosas” que os sujeitavam a riscos e perigos. Assim, tiveram necessidade de recorrer ao sobrenatural para se protegerem desses inimigos e das manifestações maléficas do cosmos. Foi na procura de objectos e imagens que o defendessem que este criou símbolos para poder entrar em sintonia com os seres divinos de forma a ter alguma protecção.

2009-12-03

Ano Internacional da Astronomia Dia 332 "Moedas de Singapura"

Félix Rodrigues

O actual brasão de armas de Singapura foi adoptado em 1956 e integra os elementos da bandeira nacional que traduzem uma ligação cultural com a Malásia. Enquanto que o brasão é utilizado apenas pelo governo, os símbolos que o integram aparecem nas moedas desse Estado, em decorações das habitações bem como no passaporte singapurense.
Na imagem seguinte apresenta-se o brasão de Singapura, constituído por um tigre e um leão que seguram um escudo vermelho, no qual estão desenhadas uma lua em quarto minguante e cinco estrelas de cinco pontas.

De acordo com uma lenda malaia, o príncipe Sang Nila Utama do império Sri Vijaya redescobriu esta ilha no século XI d.C. Quando pisou o chão da ilha viu um grande e feroz animal, que posteriormente verificou ser um leão. O animal, pelo seu tamanho, porte e ferocidade intrigou o príncipe que baptizou a ilha de “Singapura”, do sânscrito singa (“leão”) e pura (“cidade”).
A cidade-estado de Singapura é composta pela ilha do mesmo nome e por 54 outras pequenas ilhas, abrangendo uma superfície total de 640 quilómetros quadrados. A sua população é, actualmente, de cerca de três milhões de pessoas.
Situada na saída do estreito de Malaca, Singapura é uma nação independente desde 1965, altura em que se separou da Federação da Malásia. Desde então a sua capital não parou de crescer, sendo considerada uma das cidades asiáticas mais prósperas e um dos termómetros económicos do continente asiático. Essa cidade situa-se muito perto da linha do Equador.
Parece existir contradição astronómica entre a bandeira de Singapura (ver imagem seguinte) e o seu brasão.
Nos dois símbolos nacionais, aparecem o designado crescente e um conjunto de cinco estrelas de cinco pontas.
Enquanto que na bandeira singapurense se representa a Lua em quarto minguante, tal como ela é vista no Hemisfério Norte, ou quarto crescente se for vista do Hemisfério Sul, no brasão de armas, ela aparece como é vista por um observador colocado na linha do equador, em quarto minguante.


As diferentes perspectivas das fases da lua, no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul estão relacionadas com o sentido do movimento da lua no céu visto por um ou outro observador. No Hemisfério Norte, um observador vê a Lua movimentar-se no sentido dos ponteiros do relógio, enquanto que no Hemisfério Sul a vê mover-se no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio.
A nível do Equador, a Lua, vista por debaixo, movimenta-se em linha recta de Este para Oeste. Na figura seguinte apresentam-se as fases da Lua vistas por um observador colocado a nível do Equador.
É curioso que se chame à lua da bandeira de Singapura ou do brasão desse Estado, crescente, quando na Malásia (país a que alude a bandeira de Singapura) ele está em quarto minguante e mesmo quando transposta do modo como a vêem no equador para o brasão, também se encontra em quarto minguante.
As moedas de Singapura actualmente em circulação, são constituídas por moedas de 1 cêntimo, 5, 10, 20 e 50 cêntimos e por moedas de um dólar. Todas elas tem na face o brasão de Singapura.
Na imagem seguinte, apresenta-se uma moeda de dólar de Singapura, onde é bem visível o brasão da cidade contendo a lua em quarto minguante e um grupo de cinco estrelas de cinco pontas.


Se repararmos convenientemente no brasão de Singapura, é possível verificar que as estrelas de cinco pontas formam um círculo, que acabam por corresponder aos raios do Sol. A estrela de cinco pontas é um ideograma muito comum nas bandeiras nacionais, sendo-lhe associados significados místicos e mágicos.
Astronomicamente, o Sol e a Lua, nunca poderiam ser vistas na posição representada nas moedas de Singapura já que a parte escura da Lua, parte superior, o taparia por completo, todavia, se a Lua estivesse em fase crescente, tal como se vê na linha do equador, em forma de U invertido, seria possível ter o Sol por cima da Lua. Na imagem seguinte, é mais fácil perceber o que se acaba de afirmar, cuja imagem foi obtida aquando de uma conjunção da Lua com o planeta Vénus.


Nunca o planeta Vénus poderia ser visto dentro da Lua, pois fica sempre por detrás do satélite natural da Terra.

2009-12-01

Ano Internacional da Astronomia - Dia 331


Terra em crescente.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 330


Jactos de gelo à suoerfície da Lua Encedalus em Saturno.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 329


Vista Panorâmica da Via Láctea.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 328


Colinas em camadas na superfície de Marte.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 327


Filamentos da Nebulosa do Véu.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 326 "Brasão de Vila de Soure"

Félix Rodrigues

Soure é uma vila portuguesa no Distrito de Coimbra, região Centro e subregião do Baixo Mondego, com cerca de 8 500 habitantes.
O brasão desta Vila portuguesa é constituído por um escudo vermelho, com uma águia de voo de ouro, realçado de negro, bicada e sancada de negro. Em chefe, um sol de ouro e um crescente de prata. Tem uma coroa mural de prata de quatro torres. No listel branco, estão inscritas a negro as palavras " VILA DE SOURE " (ver figura seguinte).
Tal como em muitos brasões de cidades e vilas portuguesas, o sol e a lua representam o homem e a mulher ou a recriação dos ciclos da Natureza, por se juntarem os princípios do feminino e do masculino. Neste caso, a Lua está sob a forma de crescente, na mesma posição e não na posição de minguante, como se pode observar nos brasões de Valença do Minho ou da Vila de Mourão, tal qual como representada na ilustração medieval que se segue:
Nesse brasão o sol tem forma antropomorfa, mas a lua não.
Também aqui, o crescente pode lembrar a conquista da vila aos árabes e o sol a entrada na cristandade. A águia, tem uma simbologia muito própria quer no Novo quer no Antigo Testamento. A vigorosa ave, cujo caminho está no céu, era uma figura da força e resistência no Antigo Testamento. A referência a essa ave também se pode encontrar no Novo Testamento na passagem de Jó de forma modificada na profecia de Jesus: "Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias" (Mateus 24: 28). As águias constituem aqui o símbolo dos fiéis que se reúnem em redor do corpo de Cristo assassinado, mas em seguida ressuscitado. A associação da águia ao Sol reforça essa ideia cristã, pois Jesus é “A luz do Mundo”. Esses elementos medievais estão presentes na iconografia medieval da figura anterior,
A fundação do Concelho de Soure é anterior à nacionalidade: D. Henrique e D. Teresa, pais de D. Afonso Henriques, outorgaram foral à população de Soure, em Junho de 1111. A importância geo-estratégica e económica de Soure, fizeram deste Concelho uma importante comenda da Ordem de Cristo. D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 1513.
A vila chamava-se, no tempo dos romanos, Saurium. Foi devastada pelos mouros e reconquistada pelas hostes cristãs e repovoada pelo Conde D. Henrique. Devido à facilidade de penetração e porque constituía uma importante linha avançada da defesa de Coimbra, esta região foi, no período medieval, palco de renhidas lutas e devastações entre mouros e cristãos. Neste contexto, crê-se toda a simbologia do brasão esteja impregnado quer dos valores cristãos quer do misticismo medievais.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 325 "Atlas Catalão"

Félix Rodrigues

O Atlas Catalão original, de 1375, encontra-se na Biblioteca Nacional da França, classificado como manuscrito espanhol do século XIV, uma obra da escola maiorquina de cartografia, concebida e executada por Abraão Cresques sob encomenda, para ser oferecida ao rei Carlos V de França.
Esse Atlas é composto por doze meias folhas que contêm, além do mapa do mundo, um calendário perpétuo, tábuas de marés e informações astrológicas/astronómicas (duas doutrinas que à época se misturavam).
Abraão Cresques, tal como era tradição na época, colocou nesses mapas informações geográficas, históricas e mitológicas, coloriu-o, iluminando-o o e representando neles passagens bíblicas. As passagens bíblicas nos mapas tinham por fonte a própria Bíblia Sagrada , e entre elas estavam representados, por exemplo, os três reis magos e a estrela de Belém.
Pode afirmar-se que cartografia Medieval tem três aspectos distintivos da restante cartografia antiga: imagens esquemáticas do mundo, mapas realizados a partir de coordenadas polares (quase todos árabes) e portulanos que são guias práticos de navegação. Esses três elementos, arte, matemática e observação empírica/científica estão bem presentes no Atlas Catalão.
No Homem zodiacal do Atlas Catalão (ver figura seguinte) traduz-se a visão medieval da medicina, onde se acreditava que cada parte do corpo humano era regida por um signo ou constelação.
Para melhor se entender essa lógica tentar-se-á explicar porque se acreditava que as estrelas influenciavam o “temperamento” humano.
Na Idade Média, onde o modelo Ptolomaico imperava, a Terra situava-se no mundo sublunar. Nesse mundo, dominavam os quatro elementos: terra, ar, fogo e água, da física Aristotélica, que estavam em correspondência permanente, tanto com os astros como com os quatro humores (líquidos) em circulação no corpo humano: o sangue (propriedade húmica), o fleuma (linfa, soro, muco nasal, saliva, muco intestinal), a bílis (amarela, quente) e a atrabílis (ou bílis negra, secreção do pâncreas, fria).
A teoria dos temperos defendia que todas as coisas vivas derivavam desses quatro elementos e das suas quatro qualidades (quente, frio, seco e húmido) convenientemente temperadas.
A Medicina medieval via o homem integrado no universo, recorrendo insistentemente aos trabalhos de Galeno de Pérgamo (129-179 d.C.), médico e anatomista grego, que por sua vez se referia a Hipócrates (460-380 a.C.).
Na teoria dos humores, o homem era quente e seco, e a sua irascibilidade decorria da bílis amarela. A mulher era fria e húmida, daí que homem e mulher se completavam, sendo feitos um para o outro. A homossexualidade era considerada anti-natural, pois não se encaixava nessa teoria.
A teoria dos humores foi reforçada pela medicina árabe, que a combinava com os signos ou constelações do Zodíaco. Os signos governavam partes específicas do corpo, os humores, e as constelações determinavam os graus de calor e humidade do corpo e a proporção da masculinidade e feminilidade de cada pessoa.
Na Árvore Celestial, do grande livro medieval “A Árvore da Ciência” (1295-1296), o filósofo Ramon Llull (1232-1316) explica a razão da masculinidade e da feminilidade como uma consequência da forma e da matéria. É dada masculinidade a um signo por questões relacionadas com a forma e a feminilidade ou por questões de matéria, de modo que eles possam ter acção e paixão. O que tem acção era considerado masculino e diurno e o que tinha paixão era feminino e nocturno.
Na Idade Média, a Lua controlava a fisiologia feminina e a sua humidade. Governava o cérebro (daí a existência de termos como aluado), a parte mais húmida do corpo, sendo responsável pela demência dos temperamentos lunáticos.
As Mulheres histéricas tinham o mal da Lua. A melancolia era característica dos nascidos na lua cheia sendo pessoas de humor sombrio. Os nascidos sob a influência de Saturno (Capricórnio) também eram frios e sombrios. Os que haviam nascido sob a influência de Júpiter (Sagitário) eram sóbrios e joviais; sob Vénus (Touro e Libra), eram afectuosos e férteis.
Essa teoria médica medieval inseria-se assim num sistema global de explicação do mundo medieval e prevaleceu até o século XVIII. Mesmo durante a Renascença a astrologia reinou, especialmente quando se desejava tomar alguma decisão importante. Nessa perspectiva, a visão do universo do Atlas Catalão não é uma exclusividade das “trevas medievais” mas sim de uma concepção profunda do mundo, tal como aquela que pode ser vista na Luo Pan Chinesa, que possuem ainda hoje, tanto uma visão como outra, fortes raízes em diversas tradições populares.
Um pouco desligadas dos aspectos místicos e religiosos, as cartas portulanos do Atlas Catalão, são uma contrapartida gráfica moderna, para a época, dos antigos périplos (itinerários escritos pelos marinheiros da época clássica e elaborados a partir das observações feitas ao longo das costas navegadas). Não eram as cartas ptolomaicas, pois não tinham um sistema de coordenadas latitudinais e longitudinais, mas sim uma rede de loxodromas (linhas de rumo) como uma rosa-dos-ventos. Muito práticas, elas eram usadas como cartas de navegação e eram melhoradas através das informações obtidas nos diários de bordo e da determinação de distâncias e posições através da leitura da bússola. As mais antigas cartas portulanos existentes são de origem italiana, feitas em Génova e Pisa. Mas as mais belas foram produzidas em Maiorca, ilha da Catalunha (região da actual Espanha), no famoso o Atlas Catalão (1375), onde já se delineava uma Ásia que o Ocidente viu ressurgir naquela época através da reactivação do comércio com essa região do mundo, mas mantendo a característica de representar reinos reais ou imaginários.
A doutrina de Ptolomeu, que vigorava na Idade Média e representada no Atlas Catalão, não foi uma pura fantasia, foi uma verdadeira teoria científica, que se prestava admiravelmente aos cálculos astronómicos e se manteve enquanto esteve de acordo com os resultados das observações. Depois foi abandonada. Tal é o destino das teorias científicas, que, sendo simples resumos dos factos observados, se vão modificando com o aperfeiçoamento dos meios de observação e o conhecimento de novos factos.
Para explicar os diversos movimentos dos astros que podemos observar no céu, Ptolomeu imaginou que em volta da Terra existiam oito abóbadas de cristal, cada uma com um raio diferente e que suportavam os corpos celestes. Na época só se conheciam cinco planetas: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno, a que se acrescentavam a Lua e o Sol. A ordem dos planetas nesse modelo era a seguinte: na primeira esfera, a mais próxima da Terra (que ocupava o centro do que hoje se designa por sistema solar) estava a Lua, na segunda Mercúrio, na terceira Vénus, na quarta o Sol, na quinta Marte, na sexta Júpiter, na sétima Saturno e na oitava os restantes corpos celestes, as estrelas fixas (ver imagem seguinte). O movimento rígido das estrelas no céu levou Ptolomeu a pensar que elas estavam todas fixas na mesma abóbada.
A visão ptolomaica do sistema solar está perfeitamente desenhada e ricamente decorada no Atlas Catalão. O diagrama cosmográfico de Abraão Cresques, representa muito bem a ciência astronómica da época para além de lhe inscrever representações religiosas, características da época medieval (ver figura seguinte).
Por outro lado, os filósofos gregos defendiam que, embora o mundo fosse formado por objectos distintos, havia algo de comum na matéria que os compunha. Essa lógica acaba por traduzir-se na teoria dos quatro elementos anteriormente referidos, que tenderiam, pela sua própria natureza a agrupar-se em esferas. Desta forma a esfera mais pesada ficaria no centro, uma esfera de terra. A esfera de terra no centro é o nosso planeta, a esfera de água continha os mares e os oceanos, a esfera de ar correspondia à esfera da atmosfera, e por fim a esfera de fogo correspondia ao Sol e às estrelas. O círculo de fogo (estrelas e sol) girava em torno dos outros círculos, que constituem o planeta Terra.
Tanto o homem zodiacal com o diagrama cosmográfico do Atlas Catalão tem bem presente uma visão do mundo à base dos quatro elementos primordiais gregos.

2009-11-19

An Internacional da Astronomia - Dia 324 "Brasão da Vila de Mourão"

Félix Rodrigues

Desconhecem-se as origens históricas da primitiva vila de Mourão, apenas se sabe que se situava junto do Guadiana, local onde ainda há uma dezena de anos se encontravam algumas paredes. As razões do abandono da Vila Velha e da sua fixação, onde se situa actualmente Mourão, estão bastantes intrincadas pelas lendas.
O primeiro brasão de armas da vila de Mourão ficou lavrado na própria pedra que comemora o começo das obras da construção do seu castelo, no ano de 1343, no reinado de D. Afonso IV, que ainda hoje se pode ver. Tem as armas de Portugal, cinco escudetes apontados ao centro com cercaduras de 12 castelos, ostentando no interior em ponta, um sol à direita e um crescente à esquerda.
No decorrer dos tempos as primitivas armas de Mourão perderam a cercadura de castelos das armas de Portugal, ficando as restantes peças heráldicas com a seguinte constituição, metais esmaltes e cores: em campo azul cinco escudos de prata com as quinas postas em cruz apontadas ao centro, tendo o escudo inferior a seu lado direito um sol radiante antropomorfo de ouro e ao esquerdo um crescente (apesar da Lua se situar em quarto minguante) antropomorfo de prata, (ver imagem seguinte).


O crescente lembra a conquista aos Árabes e o sol a entrada na Cristandade. Essas foram as armas de Mourão na Monarquia Portuguesa, durante quase sete séculos.
O actual brasão (Camarário) de Mourão tem um escudo azul, com um castelo em ouro, lavrado, aberto e iluminado de negro; em chefe um escudete de prata com as quinas de Portugal, entre um sol de ouro e um crescente prata.
Assim Mourão tem dois Brasões: o Histórico que se pode ver impresso em muitos dicionários e enciclopédias; e o camarário que se encontra no seu estandarte actual. Na figura seguinte apresenta-se o brasão actual de Mourão.
Na idade média criaram-se mistérios masculinos e femininos. Para a mulher a maternidade, a comunhão com a flora, entre outros. Para o homem, a caça, a guerra ou a comunhão com a fauna. A mulher regida pela Lua; o homem, pelo Sol. Porém, para recriar os ciclos da Natureza, o princípio feminino e masculino juntavam-se: diferentes, porém complementares como se ilustra na imagem seguinte.

O sol e lua, eram vistos como dois astros completamente diferentes, já que um se via durante o dia e o outro quase exclusivamente de noite. Na maioria dos desenhos alquímicos estes dois astros, com representações antropomórficas fazem alusão aos opostos.
O Sol e a Lua também simbolizam o homem e a mulher: opostos tanto em termos psicológicos como morfológicos , apesar de gravitarem em concordância.
No livro medieval “A glória do mundo” de Roberto Valensis, afirma-se que o sol e a lua devem copular como um homem e uma mulher, pois de outro modo não poderiam conseguir resultados na alquimia.
Na heráldica, a presença do Sol e da Lua também indica força e poder permanentes, de dia e noite e para todo o sempre.
O Sol e a Lua estão presentes em muitos brasões de cidades portuguesas bem como em muitas cidades fundadas pelos portugueses.

2009-11-18

Ano Internacional da Astronomia - Dia 323


Meteorito marciano que atingiu a Terra.

Ano Internacional da Astronomia - Dia 322 "Brasão da Vila de Mafra"

Isabel Neves e Félix Rodrigues

Mafra é uma vila portuguesa do Distrito de Lisboa, região de Lisboa e subregião da Grande Lisboa, com cerca de 11 300 habitantes.
É sede de um município com 291,42 km² de área e 66 453 habitantes (2006), subdividido em 17 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Torres Vedras, a nordeste por Sobral de Monte Agraço, a leste por Arruda dos Vinhos, a sueste por Loures, a sul por Sintra e a oeste tem litoral no oceano Atlântico. Mafra é famosa pelo seu palácio-convento, mandado construir por D. João V no século XVIII e que constitui a mais grandiosa obra do barroco português.
Formada por dois núcleos habitacionais, a Vila Velha, constituída ao redor do antigo castelo, e a Vila Nova, desenvolvida à sombra do Convento, Mafra é sede de concelho e de comarca. Conquistada aos Mouros em 1147, recebeu foral em 1190.
Vestígios arqueológicos sugerem que o povoado hoje denominado por Mafra foi habitado pelo menos desde o Neolítico. A origem do termo Mafra continua envolta em mistério, sabendo-se apenas que evoluiu de Mafara (1189), Malfora (1201) e Mafora (1288).
Alguns autores encontraram na sua origem o arquétipo turânico Mahara, a grande Ara, vestígio de um culto de fecundidade feminina outrora existente no aro da vila. Outros, radicaram o nome no árabe Mahfara, a cova, na presunção de que a povoação se encontrava implantada numa cova, facto desmentido pelo reconhecido arabista David Lopes. A vila está, isso sim, situada numa colina, cercada por dois vales onde correm as ribeiras conhecidas por Rio Gordo e Rio dos Couros.
Certo também é que Mafra foi uma vila fortificada, podendo ainda hoje encontrar-se, na Rua das Tecedeiras, um pouco da muralha que a cercava.
Os limites do castelo, que tudo leva a crer assenta sobre um povoado neolítico, sucessivamente reocupado até à Idade do Ferro, compreendiam toda a zona da "Vila Velha", que hoje se inclui no espaço delimitado a Oriente pelo Largo Coronel Brito Gorjão, a Sul pela Rua das Tecedeiras, a Ocidente pelo Palácio dos Marqueses de Ponte de Lima e a Norte pela Rua Mafra Detrás do Castelo. A designação desta rua deve-se ao facto de a povoação ter voltado, literalmente, as costas ao flanco norte, por ser o mais exposto aos ventos. A densa floresta que, consta, existiu até ao século XIX na Quinta da Cerca, constituída por árvores de grande porte, reforçaria o paravento.
Em 1147, Mafra é conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, e em 1189 a vila é doada pelo Rei D. Sancho I ao Bispo de Silves, D. Nicolau, que no ano seguinte lhe confere o primeiro foral.
Em 1513 o Rei D. Manuel concede Foral Novo a Mafra, o que subentende a relativa importância da vila, que em breve diminuiria drasticamente. Um censo da população datado de 18 de Setembro de 1527 apura 191 vizinhos, dos quais apenas quatro vivem em casais na vila. Quando, em 1717, o Rei D. João V lança a primeira pedra da construção do Palácio, Mafra resumia-se a uns casarios, aglomerados a centenas de metros do Monumento. Em Agosto de 1787, William Beckford escreverá: "É pouco interessante a perspectiva que se goza do adro da Basílica. O que se vê são os telhados de uma aldeia insignificante e uns cabeços de areia, destacando sobre uma estreita faixa de oceano. Da esquerda a vista é limitada pelos escarpados montes de Sintra e à direita, um pinhal, na quinta do Visconde de Ponte de Lima, é que dá aos olhos algum refrigério".
Ao longo do século XIX começou a povoação a crescer em direcção ao Monumento, embora o seu aspecto rural de vila saloia só tenha sido perdido no século XX, como provam as palavras de José Mangens, em 1936, ao descrever a antiga Rua dos Arcipestres, parte dela actual 1º de Maio: "(.) nada oferece de interessante e mais parece uma vila de aldeia sertaneja, com os seus casebres arruinados e típicos portais de quintais, blindados com latas velhas (.)".
A invasão das tropas francesas de Napoleão em 1807 e a fuga do Rei D. Manuel II para o exílio em 1910 foram episódios que agitaram a vida desta vila nos últimos séculos.
Corria o dia 8 de Dezembro de 1807 quando as tropas de Napoleão entraram em Mafra para montar quartel-general no Palácio. Parte do exército seguiu para Peniche e Torres Vedras, enquanto o restante ficou aquartelado no Palácio e Convento, e os oficiais nas casas da vila, sob o comando do General Luison.
A invasão duraria cerca de nove meses. No dia 2 de Setembro o exército inglês irrompia em Mafra, saudado com grande alegria pela população e ao som dos carrilhões.
A 5 de Outubro de 1910 de novo o povo de Mafra viveria um dia único. A revolução republicana estalara na véspera em Lisboa, o Rei D. Manuel II refugiara-se durante a noite no Palácio e abandonava Mafra, num automóvel escoltado, acompanhado da sua mãe e avó, rumo à Ericeira, onde o Iate D. Amélia os conduziria a Gibraltar e ao exílio.
Volvidos quatro anos sobre a fuga de El-Rei, novo sobressalto em Mafra: no dia 20 de Outubro, um grupo de monárquicos reuniu-se no largo D. João V e, munido de algumas armas, encaminhou-se para a Escola Prática de Infantaria, instalada no Convento, depois de cortar os fios telefónicos e telegráficos. A revolta foi facilmente anulada pelos militares, acabando na cadeia de Mafra cerca de uma centena de pessoas.
Desde a construção do Monumento que os militares conferem parte do ambiente humano à Vila de Mafra.
Como descreve Guilherme José Ferreira de Assunção, em "À Sombra do Convento...", após as primeiras visitas de D. Maria II à vila de Mafra foi reconhecida a vantagem da instalação de um corpo militar no Convento, "o que não demorou a acontecer e o que conseguiu transformar a vida da população, até aí arrastada e em precárias condições de existência".
A partir de 1840 o Convento passou a ser ocupado por tropa, e em 1859 cerca de quatro mil recrutas ali assentaram praça para receber instrução no Depósito Geral de Recrutas, criado por D. Pedro V. Esta instituição seria extinta no ano seguinte, após 94 recrutas terem falecido supostamente devido a doença infecto-contagiosa. De 1848 a 1859, e de 1870 a 1873 o Convento alberga o Real Colégio Militar.
Em 1887 é criada a Escola Prática de Infantaria e Cavalaria e no ano seguinte é construída, na Tapada, a carreira de tiro, de que passou a ser frequentador o Rei D. Carlos, entusiasta dos concursos de tiro. Em 1896 é criada a Escola Central de Sargentos, dependente da Escola Prática de Infantaria.
Em 1911 é fundado o Depósito de Remonta e Garanhões, que dá lugar, em 1950, à Escola Militar de Equitação e sete anos mais tarde ao Centro Militar de Educação Física, Equitação e Desportos.
Hoje continua a funcionar o agora denominado (desde 1993) Centro Militar de Educação Física e Desportos, no Largo General Conde Januário, e a Escola Prática de Infantaria, no Convento de Mafra.
O Brasão da Vila de Mafra é constituído por um escudo vermelho, com uma torre de ouro aberta e iluminada de esmalte do campo e carregada por uma cruz de Aviz, de verde. A torre acompanhada por dois crescentes de prata. Coroa mural de prata, de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Mafra», de negro.
O esscudo Vermelho tem o significado de guerreiros, militares bem sucedidos em guerras, a torre a generosidade no servir à Pátria e ao seu rei, a Cruz de Avis - cruz florida (i e. com braços que terminam em florões) com a particularidade heráldica de serem encurtadas as pétalas centrais dos florões e aproximadas as laterais aos braços para representação da inicial «M» de Maria, padroeira da ordem, como a da ordem de Calatrava que a originou, a cruz de Avis pode ser descrita como terminada por quatro letras «M», opostas duas a duas.
À semelhança de outros municípios portugueses, Mafra tem dois crescentes no brasão e bandeira. Também se encontram dois crescentes, em forma de U, nos brasões de Alverca do Ribatejo e Vila de Borba, entre outros, e dois crescentes presentes no brasão da Cidade de Queluz, mas em forma de C.

2009-11-16

Ano Internacional da Astronomia - Dia 321


Novas estrelas na nuvem de Ofiuco.